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Tétano

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O tétano é uma doença infecciosa aguda grave e potencialmente letal, não contagiosa, que acomete o ser humano e animais. É causada pela ação de exotoxinas produzidas pelo bacilo Clostridium tetani, as quais provocam um estado de hiperexcitabilidade do sistema nervoso central 1.

O C.tetani é um bacilo Gram positivo anaeróbio, presente na natureza (solo, fezes de animais ou humanas) na forma de esporos. A germinação da forma esporulada para a forma vegetativa, a qual permite a liberação das exotoxinas, ocorre quando o ambiente se torna favorável, como é o caso da anaerobiose produzida nas feridas por corpos estranhos como terra, gravetos e cacos de vidro, quando há necrose tecidual ou ainda infecção secundária devido a bactérias consumidoras de oxigênio. Ocorre também germinação em cotos umbilicais contaminados de recém nascidos 4, 6.

Os sintomas da intoxicação pelo C. tetani se desenvolvem horas após a exposição, com  rigidez muscular especialmente na face. O indivíduo tem dificuldade de abrir a boca, fenômeno denominado de trismo, em casos graves a musculatura se fixa caracterizando o chamado risus sardonicus. Surge a dificuldade de deambular devido à hipertonia dos músculos. Os espamos causam um arqueamento do corpo (opistotonus), as contrações e espasmos do diafragma reduzem a ventilação e os pacientes podem sofrer uma morte violenta 6, 5. As crises de contraturas, geralmente, são desencadeadas por estímulos luminosos, sonoros, alterações de temperatura e manipulações do doente. Em geral, o paciente mantém-se consciente e lúcido 1.

Devido a suas características clínicas, a doença é dividida em dois grupos: o tétano neonatal e o tétano acidental. A forma de prevenção é a vacinação que deve ser administrada em crianças aos 2, 4 e 18 seis meses com revacinação aos 4 anos de idade. A revacinação para crianças de 4 anos em diante,  adultos e idosos deve ser administrada a cada 10 anos. A falta de informação, e a dificuldade que pessoas em situação de pobreza têm de acesso ao atendimento em Postos de Saúde, faz com que ainda existam crianças sem essa proteção no país, apesar da oferta gratuita das vacinas. A prevenção deve também ser feita no caso de feridas com potencial de contaminação pelo bacilo. Em indivíduos não vacinados deve ser feita com a administração de soro antitetânico.

O tétano é uma doença de notificação compulsória, tem distribuição mundial, mas é pouco frequente em países de maior desenvolvimento sócio-econômico, cuja população é protegida pela vacina com toxoide tetânico. Sua ocorrência está mais relacionada às atividades profissionais que apresentam risco de ferimento, sob condições inadequadas de trabalho. Em um esforço para eliminar o tétano Maternal e Neonatal a Organização das Nações Unidas (ONU), aliada a parceiros, vacinou, desde 1999, mais de 118 milhões de mulheres em idade fértil em 52 países 9. No Brasil ocorreram 27 casos de tétano neonatal entre 2008 e 2012 dos quais 17 (63%) foram a óbito. Foram 1766 casos de tétano acidental com 473 mortes (26,8%) 7, que poderiam ter sido evitadas.

Na Bahia, em 119 casos de tétano internados entre janeiro de 2004 e dezembro de 2010 em um hospital de referência, 32 (26,5%) evoluíram para óbito. Apenas 22 (19,7%) pacientes tinham história de uso da vacina contra tétano antes do internamento hospitalar. A letalidade entre os casos de tétano neonatal foi extremamente elevada 8.

Apesar de referida por Aristoteles há 2000 anos atrás, a compreensão da origem microbiológica do tétano só adveio em1884 com os experimentos dos italianos Antonio Carle (1855-1927) e Giorgio Rattone  (1857-1929), em coelhos e os do alemão Arthur Israel Nicolaiër (1862-1942 ) que demonstrou que o bacilo esporulado encontrado no solo era essencilamente tetanigênico 2. Essas descobertas foram o caminho para o microbiologista japonês Shibasaburo Kitasato (1852-1931) isolar o bacilo em 1889, obter culturas puras e reproduzir a doença, injetando-o em animais 2, 3.

 

Referências utilizadas:

  1. BRASIL Ministério da Saúde. Doenças infecciosas e parasitárias. Guia de bolso.  8a edição revista. 2010.
  2. CAMPOS JUNIOR AJM. Estudos recentes sobre o tetano. Dissertação inaugural apresentada à Escola Medico-Cirurgica do Porto. Imprensa Moderna. Porto. 1892.
  3. KANTHA, SS. A centennial review; the 1890 tetanus antitoxin paper of von Behring and Kitasato and the related developments, Keio J Med.  Mar;40(1):35-9, 1991.
  4. MIMS C, NASH A, STEPHEN J. Mim’s Pathogenesis Of Infectious Disease, 5a ed., Elsevier Acad. Press, 2003, 474p. 
  5. POMMERVILLE JC. Alcamo’s Fundamental’s of Microbiology, 9th ed. 2011, 805p
  6. SCHECHTER M, MARANGONI DV. Doenças Infecciosas: conduta diagnóstica e terapêutica, Ed. Guanabara Koogan, 1994, 500p.
  7. SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Tétano Neonatal período de 2008 a 20012. Brasil: Ministério da Saúde, 2012.
  8. OLIVEIRA LV, NUNES CLX. Estudo de 119 casos de tétano ocorridos num hospital de referência na Bahia entre 2004 e 2010. Rev. Baiana De Saúde Pública, 37(Supl.1), jan.-mar, 2013.
  9. ONU Organização das Nações Unidas. Tétano é eliminado em mais de 30 países com altos índices da doença, diz ONU. Reportagem em 17 de maio de 2013: http://www.onu.org.br/tetano-e-eliminado-em-mais-de-30-paises-com-altos-indices-da-doenca-diz-onu/.  Acesso em 12/03/2014.
Como citar esta página: – Guerreiro H, Brazil TK. Tétano. Museu Interativo da Saúde na Bahia. Disponivel em: http://www.misba.org.br/doenca/doencas-da-pele/tetano/. Acesso em: 19/10/2017 06:14:50.