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Malária

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A malária é uma doença infecciosa febril, causada por um protozoário do Filo Apicomplexa, parasita intracelular da família Plasmodiidae, gênero Plasmodium. Também é conhecida como paludismo, impaludismo, febre palustre, febre intermitente, febre terçã benigna, febre terçã maligna, além de nomes populares como maleita, sezão, tremedeira, batedeira ou simplesmente, febre 3.

Os plasmódios raramente causam sintomas graves da doença em qualquer outro vertebrado que não os humanos. O ser humano é o único reservatório com importância epidemiológica para a malária humana, e apesar de existirem em torno de 150 espécies de plasmódios em vários animais, apenas 4 são patogênicas para os seres humanos: o Plasmodium falciparum, P. vivax, P. malariae e P.ovale 1. A malária por P. ovale ocorre apenas no continente africano, porém, ocasionalmente, casos importados podem ser diagnosticados no Brasil 3.

Todos os plasmódios são parasitas obrigatórios e têm sempre dois hospedeiros no seu ciclo de vida: um invertebrado, inseto díptero (mosquito) e um vertebrado (répteis, aves e mamíferos). Penetram no corpo humano através da picada do mosquito fêmea do gênero Anopheles (família Culicidae) infectado, quando este se alimenta do seu sangue. Passam, na forma de esporozoitos, das glândulas salivares do mosquito para a camada sub-cutânea da pele e, após cerca de 15 minutos, caem na corrente circulatória e se direcionam para penetrar nas células hospedeiras. Dentre todas as células penetradas, apenas nas células hepáticas (células-alvo) ou hepatócitos, se processa o desenvolvimento parasitário, cerca de 30 minutos após a infecção 4.

Nos hepatócitos, os esporozoitos se desenvolvem em trofozoitos, que se reproduzem assexuadamente (ciclo pré-eritrocítico), originando merozoitos que saem das células hepáticas e invadem os eritrócitos/hemáceas (ciclo eritrocítico), reproduzindo-se também assexuadamente até rompê-las e cair na corrente sanguinea. É nessa fase que podem causar sintomas desde anemia, febre alta, hepatomegalia, trombose e, até mesmo, a morte. O ciclo eritrocítico inicia-se quando os merozoítos invadem repetidamente as hemácias, até um momento em que se diferenciam em estágios sexuados chamados gametócitos, que permanecem no sangue circulante e não mais se dividem, seguindo o seu desenvolvimento apenas no mosquito vetor 5. O ciclo sanguíneo se repete, a cada 48 ou 72 horas (a depender da espécie de plasmódio), quando os plasmódios consomem a hemoglobina das hemácias liberando um pigmento chamado hemozoína ou pigmento malárico 4.

Ao picar um indivíduo infectado, o mosquito anofelino fêmea ingere todas as formas sanguineas do parasita, mas somente os gametócitos irão se desenvolver, dando início ao ciclo sexuado do plasmódio no intestino do inseto. O zigoto resultante da fecundação tem mobilidade, o oocineto, se encista (oocisto) na parede do intestinal do inseto. O oocisto se divide (esporogonia) formando os esporozoítos, que se dispersam pelo corpo do inseto, até atingir as glândulas salivares, para uma nova infecção. Estima-se que um único oocisto possa produzir, em média, cerca de 1000 esporozoítos 5.

As principais espécies de culicideos transmissoras da malária no Brasil são: Anopheles darlingi, A. aquasalis e A. albitarsis. A mais importante é o A. darlingi, cujo comportamento é extremamente antropofílico e, dentre as espécies brasileiras, é a mais encontrada picando no interior e nas proximidades das residências. Popularmente, os vetores da doença são conhecidos por “carapanã”, “muriçoca”, “sovela”, “mosquito-prego” e “bicuda” 3.

O termo malária se originou no século XIX, onde os médicos da época acreditavam que a origem da doença vinha de vapores nocivos do pântano, criando assim a termologia mal’aria. Foi apenas em 1880, que a doença foi identificada pelo médico francês Charles Louis Alphonse Laveran como uma parasitose, após o exame do sangue de pessoas infectadas. A sua transmissão só foi desvendada por uma sequencia de estudos dos pesquisadores Ronald Ross (ingles) (1897), Grassi, Bastianelli e Bignami (italianos) (1898 e 1899) 4.

No Brasil há relatos da doença a partir do século XVI, contudo, sem dados epidemiológicos 1. No fim do século XIX, a doença ocupava toda a região litorânea do pais, porém sem evidências de epidemia. Foi no século XX, na Amazônia, onde surgiu a primeira epidemia da malária, relacionada, principalmente, à entrada de um grande contingente de pessoas em busca de trabalho nos seringais, na era do governo de Getúlio Vargas. A pior epidemia de malária no país ocorreu no estado do Rio Grande do Norte, em 1939, resultando em 50 mil infectados, sendo controlada apenas em 1940 1. Ainda é frequente na Região Norte, ocorre principalmente entre operários empregados na construção de estradas, entre garimpeiros, migrantes e pessoas que ocasionalmente ali vão pescar ou caçar. Os prováveis fatores de risco associados à maior freqüência da malária nesta região estão relacionados com a maior facilidade para o contato entre o indivíduo suscetível e o anofelino infectado 4.

Em Salvador, primeira capital do pais, ocorreram surtos endêmicos desde o século XIX, que se estenderam até o fim da Primeira Republica, na década de 30 2. Apesar de não ter existido uma epidemia na cidade, ocorreu um importante foco em 1983 no município de Camaçari (Região Metropolitana de Salvador), com registro de uma média de 357 casos. Com a criação do polo petroquímico no município, muitas pessoas vindas da região amazônica migraram em busca de emprego 6.

Atualmente a malária é considerada uma doença de países menos desenvolvidos, foi erradicada na Europa e America do Norte em meados do século XX 1.

Referências utilizadas:

  1. CAMARGO EP. Malária, maleita, paludismo. Cult., São Paulo,v. 55, n. 1. 2003 .
  2. CASTRO-SANTOS LA. As Origens da Reforma Sanitária e da Modernização Conservadora na Bahia durante a Primeira República. Dados, Rio de Janeiro ,v. 41,n. 3.1998.
  3. Ministério da Saúde. Doenças infecciosas e parasitárias. Guia de bolso. 8a edição revista. 2010.
  4. NEVES DP. Parasitologia Humana. ed. São Paulo: Atheneu, 2008.
  5. REY, L. Parasitologia. 4a ed. Rio de Janeiro, Guanabara Koogan. 2008.
  6. TAUIL P, Deane L, SABROZA P, RIBEIRO CA. Malária no Brasil.Cadernos de Saúde Pública,1(1), 71-111. 1985.
Como citar esta página: – Dias-Lima AG, Brazil TK. Malária. Museu Interativo da Saúde na Bahia. Disponivel em: http://www.misba.org.br/doenca/doencas-parasitarias/malaria-2/. Acesso em: 19/10/2017 06:10:42.