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Lazaretos

A história do prédio-sede remonta ao início do século XVIII. Na realidade, desde o começo desse século, ali se edificou uma pequena vila para triagem de escravos e também abrigar as pessoas leprosas. A Estrada de São Lázaro era então um longíquo local da cidade de Salvador, toda concentrada em cinco freguesias na sua parte alta e duas na parte baixa. A maior parte da população residia no Santo Antônio Além do Carmo, no Passo, Santana, São Pedro e na populosa Sé. Aí moravam ricos senhores de engenho, comerciantes, funcionários civis e eclesiásticos. Os sobrados de Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora da Conceição abrigavam os exportadores, importadores e numerosa escravaria.As precárias condições sanitárias de Salvador e o pavor que a população tinha das moléstias contagiosas se somava às limitações dos recursos médicos. Já no século XVII, uma epidemia de varíola matou duas mil pessoas na cidade. No século XIX, a febre amarela e o cólera morbu levaram pânico e terror à população. Esta última, matou 36 mil baianos em 1856. Para se ter uma idéia, a Capital da Bahia possuía 56 mil habitantes.Luís Vilhena, que escreveu sobre a Bahia do século XVIII, dá conta que a saúde do povo se arruinava “pelo ar corrupto, que se respirava, evaporado das imundícies que por dentro da cidade se lançam por diversas paragens”. O viajante austríaco Maximiliano de Habsburgo dizia, em 1860, que nos arredores do Dique do Tororó os negros podiam ser vistos banhando cavalos em companhia das negras que lavavam roupas entre algazarras e alaridos. Neste local, os barris de água eram retirados, enquanto os de excrementos eram despejados.A teoria médica em voga acentuava o temor às moléstias que se propagavam, segundo o pensamento científico da época, pelo ar infectado por gases pútridos, ou miasmas, responsáveis pelas epidemias. Daí o exacerbado cuidado com os portadores de moléstias contagiosas. Para confinar os lázaros, colocar os leprosos pobres em quarentena e poder dar-lhes alguma assistência, o precário Lazareto a cargo da Irmandade de São Lázaro, que não passava de uma humilde vila de casebres, foi transformado no hospital. A licença para sua edificação foi autorizada por meio de provisão real em 1762. As obras, iniciadas anos mais tarde, só foram concluídas no início do século seguinte.O hospital funcionou regularmente até o começo do século XX. Depois, serviu como abrigo de indigentes, Escola de Recrutas da Polícia Militar e até reformatório de menores.

Junto à Faculdade de Medicina, que é de 1808, e à Santa Casa da Misericórdia, que era conhecida como Hospital da Caridade, o Lazareto ou hospital de São Lázaro é parte integrante da história médica da Bahia.

CURIOSIDADES:

  • O Lazareto era um hospital de acolhimento e quarentena dos doentes mais pobres da Bahia colonial e imperial, sobretudo dos negros. Talvez disso resulte a enorme força para as oferendas e ritos dedicados a Omolu na singela igrejinha de São Lázaro.
  • O Lazareto é uma edificação do período colonial, que, mesmo com algumas modificações que foram feitas ao longo de sua história, é ainda hoje um belo exemplar da época. Localizado no bairro da Federação, na Estrada de São Lázaro, dali se tem um belo panorama do litoral da Bahia.
  • Na festa de São Lázaro, em Salvador, a oferenda é a pipoca, singelamente distribuída por baianas vestidas de branco, no largo da igreja, próximo ao Lazareto.
  • O prédio do Lazareto encontrava-se em um estado lastimável. Sua construção estava toda comprometida, com infiltrações, cupins, goteiras e instalações elétricas e hidráulicas precárias. Totalmente restaurado, o imóvel hoje sedia a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia – Fapesb. A missão desta casa é apoiar e promover iniciativas acadêmicas, científicas, tecnológicas e empresariais de ensino, pesquisa, extensão e inovação em todas as áreas do conhecimento.
URL: http://www.misba.org.br/instituicao/instituicoes-de-saude-na-bahia-1/lazaretos/
Acesso em: 18/08/2017 22:30:55