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Filaríase

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A filaríase ou filariose humana é uma parasitose, também conhecida no Brasil por filaríase de Bancrofti, filariose de Bancrofti, filariose linfática ou elefantíase. É uma doença provocada por um verme nematódeo, a Wuchereria bancrofti (Cobbold, 1877) que vive nos vasos linfáticos dos seres humanos infectados e que, provavelmente, foi introduzido nas Américas pelo tráfico de escravos africanos durante o período colonial 5.

Não se sabe ao certo quando foi introduzida no Brasil, mesmo porque a filariose bancroftiana é uma doença de caráter crônico restrita a áreas focais, e sem registros de surtos epidêmicos em Salvador. No entanto, é bem plausivel acreditar que essa doença tenha sido introduzida nas primeiras viagens da colonização europeia ao Brasil, via porto de Salvador, onde aqui aportaram africanos portadores da filariose.

Os vermes adultos medem entre 4 e 10 cm e vivem nos linfonodos e vasos linfáticos, e as formas embrionárias (microfilárias) são encontradas no sangue periférico humano. As microfilárias durante a noite migram da circulação linfática para a circulação sanguínea periférica, onde podem ser ingeridas por insetos vetores (mosquitos fêmas hematófagos do gênero Culex) no momento do repasto sangüíneo, desenvolvendo-se e atingindo o estágio larvário infectante (larvas L3) 5.No Brasil, o Culex quinquefasciatus é o principal transmissor 2.

As alterações provocadas pelo acúmulo dos vermes no sistema linfático provocam os sintomas da doença, como febre recorrente aguda, astenia, mialgias, fotofobia, quadros urticariformes, pericardite, cefaleia, linfadenite e linfangite retrógrada, com ou sem microfilaremia. Os casos crônicos mais graves são de indivíduos que apresentam hidrocele, quilúria e elefantíase de membros, mamas e órgãos genitais. A filariose bancroftiana foi uma doença prevalente no Brasil, mas, hoje, encontra-se restrita a alguns focos persistentes no Pará, Pernambuco e Alagoas 2.

O nome do gênero (Wuchereria) foi dado em homenagem ao Dr. Otto Edward Heinrich Wucherer (1820-1873) 3, médico de origem luso-germanica que viveu e trabalhou em Salvador e descreveu pela primeira vez as microfilárias em doentes soteropolitanos com hematoquilúria 6 e o da espécie bancrofti homenageia o médico parasitologista inglês Dr. Joseph Bancroft (1836-1894), descobridor do verme adulto 1.

Até o início da década de 50, muito pouco se publicou sobre a filariose bancroftiana no Brasil, a não ser resultados de alguns inquéritos hemoscópicos isolados para detecção da parasitose, os quais permitiram que cidades como Salvador (BA) e Belém (PA) fossem consideradas focos 4.

Após a década de 50 nenhum outro levantamento epidemiológico global no Brasil foi realizado para redesenhar o mapa de distribuição geográfica dessa doença, os dados disponíveis foram provenientes de inquéritos isolados. Na Bahia, novos inquéritos hemoscópicos foram realizados em meados dos anos 60 nos focos descritos no passado. Foram encontrados índices de 6,2% e 1,7% de microfilarêmicos por W. bancrofti, respectivamente, no bairro Uruguai em Salvador e na cidade de Castro Alves. Os últimos dados sobre a situação da filaríase na Bahia são do relatório de 1986 da SUCAM (atual Fundação Nacional de Saúde) os quais mostram que desde 1981 não se registrou nenhum caso autóctone no Estado 5. Porém, ressalta-se que, pelo fato de não haver barreiras migratórias entre os estados brasileiros, pacientes com a doença podem se deslocar para ou mesmo passar a residir em qualquer região do País, possibilitando teoricamente a instalação de novos focos.

 

Referências utilizadas:

  1. AMARAL A. Filariose de Bancroft. Memórias do Instituto Butantan, Tomo I, Fascículo 2, 1918-1919.
  2. BRASIL Ministério da Saúde. Doenças infecciosas e parasitárias. Guia de bolso.  8a edição revista. 2010.
  3. BRITTO ACN  143 Anos da Gazeta Médica da Bahia. Gaz. Méd. Bahia. 80:1(Jan-Abr):60-73. 2010
  4. FRANCO O, SILVA-LIMA DM. Alguns aspectos das atividades contra a filariose bancroftiana no Brasil. Rev. Bras. Malariol. Doenças Trop., 19: 73-89, 1967.
  5. ROCHA EMM, FONTES G. Filariose bancroftiana no Brasil. Rev. Saúde Pública, 32 (1): 98-105, 1998.
  6. WUCHERER O. Notícia preliminar sobre vermes de uma espécie ainda não descrita encontrados na urina de doentes de hematúria intertropical no Brasil. Gaz. Méd. Bahia, 3: 97-9, dez 1868.
Como citar esta página: – Lima AD, Brazil TK. Filaríase. Museu Interativo da Saúde na Bahia. Disponivel em: http://www.misba.org.br/doenca/doencas-parasitarias/filariose-linfatica-elefantiase/. Acesso em: 18/08/2017 22:42:25.