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Varíola

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A epidemia de varíola começou em 1563, 14 anos após o início da cidade. Os primeiros casos vieram da Ilha de Itaparica, que pode ser considerado o primeiro foco da doença no Brasil. Estima-se que, nesta época, a varíola tenha matado pelo menos 30 mil índios e que tenha sido responsável, nos três primeiros séculos da colonização, por maior número de óbitos do que todas as outras doenças reunidas 3.

Um dos mais graves surtos epidêmicos irrompeu em 1897, quando 4.575 pessoas foram acometidas pela varíola e 1.676 foram a óbito. As taxas continuaram altas no ano seguinte: foram 780 casos e 168 óbitos em 1898. Entre 1899 e 1903, o número de adoecimentos e mortes foi relativamente pequeno, até que, a partir de 1904, as cifras de morbidade começaram a crescer, mas a mortalidade continuou relativamente baixa 6.

A varíola retornou a Salvador em 1904, alcançou proporções epidêmicas entre 1908 e 1910 e assolou a cidade outra vez em 1919 e 1920. Só em 1909 os serviços municipais de saúde começaram uma campanha de vacinação, financiada com recursos do estado. Entretanto, as campanhas eram apenas esporádicas e grande parte da população permanecia sem vacinação. O ano de 1919 testemunhou uma devastadora epidemia de varíola, a mais trágica da história do estado. O governo federal interveio. Como a legislação federal de vacinação compulsória não vigorava devido à resistência popular, as autoridades federais anunciaram que só as pessoas portadoras de um certificado de vacinação seriam autorizadas a viajar entre os portos brasileiros2.

Em 1919, nem bem a cidade descansou das turbulências causadas pela gripe espanhola (1918) e se deparou com outra epidemia de varíola. Essa epidemia matou muito mais pessoas do que a gripe espanhola, porém a gripe teve mais repercussão (talvez por seu caráter pandêmico) com uma posição de destaque em termos de produção histórica. Entre junho e dezembro daquele ano, 4.612 pessoas foram acometidas pela varíola e 2.804 morreram pela doença 6. O primeiro posto federal de vacinação na Bahia foi aberto em setembro de 1919 e os casos de varíola desapareceram gradativamente do estado durante a década de 20 2.

A varíola foi a principal causadora do surgimento das primeiras ações de saúde pública no país. O seu combate, através da produção da vacina antivariólica e das atividades de vacinação, estimulou a criação das primeiras instituições que se tornariam responsáveis pelo combate de outras doenças no país. Em 1811 a Junta Vacínica da Corte fazia a vacinação anti-variólica (descoberta em 1778) da corte imperial, no Rio de Janeiro, e fornecia a linfa ou pus vacínico para os as câmaras municipais das outras províncias providenciarem a vacinação 1. A Campanha de Erradicação da Varíola no Brasil (CEV) foi criada em 1966 como parte de um programa mundial de erradicação da doença, proposto pela Organização Mundial de Saúde em 1958. Nesse contexto, a erradicação da varíola, em 1973, consagrou a medicina científica e o instrumento vacinal mundialmente 3.

Em agosto de 1973, uma Comissão Internacional revisou detalhadamente a natureza e extensão das atividades do Programa de Erradicação da Varíola e declarou que a varíola havia sido erradicada das Américas, primeira área mundial a ter a doença erradicada 3.

Referências utilizadas:

  1. CABRAL D. Junta da Instituição Vacínica da Corte. Disponível em: http://linux.an.gov.br/mapa/?p=2746. Memória da Administração Pública Brasileira. Coordenação Geral de gestão de Documentos. Ministério da Justiça. Arquivo Nacional. Acesso em: 6/10/2013.
  2. CASTRO SANTOS, LA de. As Origens da Reforma Sanitária e da Modernização Conservadora na Bahia durante a Primeira República.Dados, Rio de Janeiro , v. 41, n.3,1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52581998000300004&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 14 Nov. 2013. http://dx.doi.org/10.1590/S0011-52581998000300004.
  3. GAZETA, AAB Uma Contribuição à História do Combate à Varíola no Brasil: do Controle à Erradicação Rio de janeiro. Tese de Doutorado, Programa de Pós-graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, 2006
  4. JACOBINA AT, BATISTA AG, MORAES ARO, RICO AM, SANTOS ABS, CORRÊA BM, SOARES CS, MACHADO DB, PAIXÃO ES, ALMEIDA ER. http://www.isc.ufba.br/saudeehistoria/Artigo_Historia_e_Saude_na_Bahia.pdf
  5. RIBEIRO, AV. A cidade de Salvador: estrutura econômica, comércio de escravos e grupo mercantil (c.1750 – c.1800) Rio de Janeiro: UFRJ, Tese (Doutorado) – UFRJ/IFCS/ Programa de Pós-Graduação em História Social, 2009.
  6. SOUZA CMC, HOCHMAN G. Ano de Nove, Ano de Varíola: epidemia de 1919, em Salvador, Bahia. Fênix – Revista de História e Estudos Culturais Setembro/ Outubro/ Novembro/ Dezembro de 2012 Vol. 9 Ano IX nº 3 ISSN: 1807-6971 Disponível em: www.revistafenix.pro.br.
Como citar esta página: – Brazil TK., Guerreiro H.. Varíola. Museu Interativo da Saúde na Bahia. Disponivel em: http://www.misba.org.br/epidemia/epidemias-em-salvador-bahia/epidemia-de-variola/. Acesso em: 18/08/2017 22:38:18.